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Uma amiga me disse que vive caindo porque é espalhafatosa demais. E que só cai em público, de preferência no asfalto, à luz do dia: para ela, cair é sobretudo um espetáculo. Porque enquanto caminhar for a maneira mais natural de se chegar ao outro lado, o risco de queda vai ser iminente. Mas e se fosse um impulso? Desde já, o alerta: é bom preparar os joelhos. Escolher deixar o corpo cair. Sentir o gelado dos azulejos e ali permanecer: até que estar vivo não precise mais ser um esforço. Até que estar vivo passe a ser uma escolha.